Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira, é condenado a um ano de prisão na Espanha por fraude fiscal

O técnico da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti, foi condenado nesta quarta-feira (9) a um ano de prisão pela Justiça espanhola por fraude fiscal cometida em 2014, durante sua primeira passagem como treinador do Real Madrid. A sentença, emitida pela 30ª Seção da Audiência Provincial de Madri, também impõe uma multa de 386.361,93 euros (aproximadamente R$ 2,4 milhões) e proíbe o italiano de receber subsídios públicos ou benefícios fiscais na Espanha por três anos. Apesar da condenação, Ancelotti não deve cumprir pena em regime fechado, conforme a legislação espanhola, que prevê medidas alternativas para penas inferiores a dois anos em crimes não violentos para réus sem antecedentes criminais.

A acusação refere-se à omissão de impostos sobre rendimentos de direitos de imagem, totalizando cerca de 1 milhão de euros (R$ 6,4 milhões na cotação atual). O Ministério Público espanhol, que inicialmente solicitou quatro anos e nove meses de prisão, alegou que Ancelotti utilizou um sistema de pagamento estruturado pelo Real Madrid, comum entre jogadores e treinadores, mas não declarou corretamente os valores à Receita espanhola. Em julgamento realizado em abril, o treinador se declarou inocente, afirmando que confiou em assessores e no clube para gerenciar seus vencimentos. “Eu só queria receber 6 milhões de euros líquidos. Nunca percebi que algo estava errado, e não fui notificado sobre investigações”, declarou Ancelotti, segundo a agência EFE.

O tribunal absolveu Ancelotti de uma acusação semelhante relativa a 2015, por falta de provas de que ele residiu na Espanha por mais de 183 dias naquele ano, o que o isentou de obrigações fiscais adicionais. A absolvição também garante a restituição de parte dos impostos pagos indevidamente, já que Ancelotti foi tributado como residente (48%) quando deveria ter sido como não residente (20%). A defesa considerou o resultado “positivo”, segundo o jornal Marca, destacando a redução significativa da pena pedida pela promotoria.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) informou que acompanha o caso, conduzido pela equipe pessoal de Ancelotti, mas não se pronunciou sobre possíveis impactos na continuidade do treinador à frente da Seleção, contratado em maio de 2025 para as Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. Especialistas consultados pela CNN Brasil descartam a possibilidade de extradição ou prisão no Brasil, devido ao tratado bilateral entre os países e à natureza da pena, que pode ser cumprida em liberdade condicional.

Ancelotti, de 66 anos, é um dos técnicos mais vitoriosos da história, com títulos nas cinco principais ligas europeias e quatro Champions League. A condenação, embora sem prisão efetiva, adiciona seu nome à lista de celebridades do futebol – como Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar – investigadas por sonegação fiscal na Espanha. Até o momento, nem o treinador nem a CBF emitiram comunicados oficiais sobre a decisão.

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