Diante da imposição de tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o governo da Bahia intensifica esforços para diversificar seus mercados internacionais e minimizar os impactos econômicos. Em entrevista ao Acorda Cidade nesta segunda-feira (21), o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Ângelo Almeida, revelou que a pasta está prospectando parcerias com países asiáticos, europeus e do Oriente Médio, com foco em setores estratégicos como agronegócio, mineração e energia renovável.
A medida responde às sanções americanas, que entraram em vigor em 9 de julho e já afetam exportações baianas, como suco de laranja, aço, café e carne, que representam cerca de 20% do comércio exterior do estado com os EUA, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Almeida destacou que a China, maior parceira comercial da Bahia, além de nações como Emirados Árabes, Japão e membros da União Europeia, são alvos prioritários para novos acordos. “Estamos em conversas avançadas para abrir mercados alternativos. A Bahia não pode ficar refém de um único parceiro comercial”, afirmou o secretário.
A estratégia inclui a participação em feiras internacionais, como a Expo Dubai 2025, programada para outubro, onde a Bahia apresentará produtos do agronegócio e projetos de energia eólica e solar. Almeida também anunciou a criação de um grupo de trabalho com a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) e a Secretaria de Agricultura (Seagri) para mapear cadeias produtivas afetadas e propor incentivos fiscais que atraiam investimentos estrangeiros. “Nosso objetivo é transformar a crise em oportunidade, fortalecendo setores como a soja, o cacau e a mineração”, explicou.
A taxação de Trump, motivada por questões políticas, incluindo críticas à condução de investigações judiciais no Brasil, já gerou perdas estimadas em R$ 1,2 bilhão para a economia baiana, segundo a Fieb. Pequenos e médios exportadores, especialmente do setor agropecuário, têm enfrentado dificuldades para manter contratos com os EUA. Em resposta, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) anunciou que a Bahia buscará apoio do governo federal para negociar com Washington, mas reforçou a necessidade de autonomia econômica. “Não podemos depender de um mercado que usa o comércio como arma política”, declarou durante evento em Salvador.
A ofensiva baiana para diversificar mercados reflete um movimento nacional de reorientação comercial, com o Brasil buscando fortalecer laços com o Brics e países do Mercosul. Enquanto as negociações avançam, Almeida pediu união do setor produtivo e garantiu que o estado está preparado para mitigar os impactos das sanções, protegendo empregos e a economia local.








