O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta quinta-feira (24) que está adotando maior cautela em suas declarações à imprensa devido às medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em coletiva após deixar a sede do Partido Liberal, em Brasília, Bolsonaro destacou a falta de clareza sobre os limites das restrições e disse que aguarda orientação de seus advogados para evitar novos conflitos com a Justiça. “Não está claro o que posso ou não falar. Eu não posso errar. Gostaria de falar com vocês, mas o que vai acontecer depois a gente não sabe”, declarou, conforme noticiado pela A Tarde.
A declaração veio após Moraes rejeitar, na quarta-feira (23), a conversão das medidas cautelares em prisão preventiva, considerando que a divulgação de uma entrevista de Bolsonaro na Câmara dos Deputados, na segunda-feira (21), foi uma “irregularidade isolada”. O ministro, no entanto, alertou que qualquer novo descumprimento resultará em prisão imediata. “Por se tratar de uma infração isolada e diante das alegações da defesa sobre a ausência de intenção, mantenho as medidas cautelares, mas uma nova violação levará à conversão”, escreveu Moraes. Ele esclareceu que Bolsonaro não está proibido de conceder entrevistas à imprensa, mas segue impedido de usar redes sociais, diretamente ou por terceiros.
As medidas cautelares, impostas em 18 de julho, incluem o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno (das 19h às 6h, de segunda a sexta, e integral nos fins de semana e feriados), proibição de contato com embaixadores, acesso a embaixadas e comunicação com outros investigados, incluindo seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A investigação apura supostas tentativas de coação, obstrução da Justiça e ataques à soberania nacional, envolvendo articulações com o governo de Donald Trump, que impôs sanções comerciais ao Brasil em 9 de julho.
A defesa de Bolsonaro reforçou que ele não teve intenção de descumprir as restrições e pediu esclarecimentos sobre a proibição de redes sociais, questionando se entrevistas à imprensa estão incluídas. A operação da Polícia Federal que originou as medidas apreendeu US$ 14 mil e R$ 8 mil em espécie na residência do ex-presidente, além de um pendrive, que ele nega conhecer. O caso continua a gerar tensões políticas, com aliados como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acusando o STF de “perseguição”, enquanto a base governista defende a atuação judicial como proteção às instituições.
O episódio destaca o delicado equilíbrio entre liberdade de expressão e cumprimento de ordens judiciais, em um contexto de polarização política e pressão internacional. Bolsonaro, que enfrenta inquéritos relacionados à “trama golpista”, segue sob escrutínio, com o STF monitorando cada passo do ex-presidente às vésperas das articulações para as eleições de 2026.








