O empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, afirmou nesta quinta-feira (25) durante depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social, no Congresso Nacional, que entregará à Polícia Federal (PF) mais de 180 gigabytes de documentos – equivalente a 18 milhões de arquivos – para provar a legalidade das operações de sua empresa, a Prospect. Preso preventivamente desde 12 de setembro, Antunes é apontado pela PF como figura central em um esquema de descontos ilegais em benefícios previdenciários, que teria lesado milhões de aposentados e pensionistas.
Em sua fala inicial na CPMI, Antunes negou envolvimento em fraudes e disse que sua empresa apenas prestava serviços de assessoria e consultoria a associações autorizadas pelo INSS a cobrar mensalidades diretamente dos benefícios. “Jamais fui responsável pelo recrutamento de associados ou pela inserção de dados no sistema do INSS”, declarou, atribuindo possíveis irregularidades às entidades contratantes. Segundo ele, a Prospect oferecia serviços como apólices de seguro funeral, clube de benefícios com descontos em farmácias e acesso a plataformas de cursos, todos voltados aos associados. “A documentação que será entregue à PF demonstra, de forma inequívoca, que minha atuação era lícita”, afirmou, acusando “narrativas mentirosas” de difamação.
O depoimento, ainda em andamento, foi marcado por tensão. Antunes recusou-se a responder perguntas do relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), alegando que o parlamentar o chamou de “ladrão de dinheiro dos aposentados” em sessão anterior, sem direito à defesa. Gaspar rebateu, destacando que a Prospect e seus sócios criaram ou representavam associações investigadas, como a Ambec, a Unaspub e a AAPPS/Unirverso, que juntas teriam desviado cerca de R$ 2 bilhões. “Noventa e sete por cento dos associados da Ambec disseram que não autorizaram descontos. A Unaspub retirou R$ 267 milhões, e 97,6% dos filiados negaram consentimento. Por que o senhor recebeu milhões dessas entidades?”, questionou o relator.
Antunes admitiu a possibilidade de descontos indevidos, mas responsabilizou exclusivamente as associações: “Caso algum aposentado tenha sofrido descontos irregulares, a responsabilidade é das entidades que incluíram essas pessoas sem anuência, não da minha empresa”. Ele se comprometeu a responder perguntas dos demais parlamentares, desde que feitas com “educação e ética”, e invocou o direito constitucional de não se autoincriminar.
A CPMI investiga um esquema que, segundo a PF, envolveu a manipulação de sistemas do INSS para descontos não autorizados, beneficiando associações e empresas como a Prospect. O caso expõe falhas na fiscalização do INSS e reacende debates sobre a proteção dos direitos de aposentados. A entrega dos documentos prometidos por Antunes será acompanhada de perto, enquanto a CPMI busca esclarecer a extensão do esquema e responsabilidades.
Para mais atualizações sobre investigações e política nacional, acompanhe o Cenário em Foco.








