O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou nesta quinta-feira (31) que a Advocacia-Geral da União (AGU) adote medidas para viabilizar a extradição da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), presa em Roma, Itália, na terça-feira (29). A solicitação, enviada por ofício, reforça o pedido formal do governo brasileiro, encaminhado ao Ministério do Interior da Itália em 12 de junho, para trazer a parlamentar ao Brasil, onde ela foi condenada a 10 anos de prisão por invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), falsidade ideológica e inserção de dados falsos.
Zambelli, que estava foragida desde maio, após cruzar a fronteira com a Argentina e seguir para os Estados Unidos e a Itália, onde possui cidadania, foi detida em um apartamento em Roma após denúncia do deputado italiano Angelo Bonelli, do partido Europa Verde. Presa na penitenciária feminina de Rebibbia, a deputada passará por uma audiência de custódia na sexta-feira (1º), segundo o g1. O tribunal italiano analisará a documentação apresentada pelo Brasil para decidir, em até 48 horas, se autoriza a extradição, mantém Zambelli detida no país ou determina sua soltura com medidas cautelares.
Caso a extradição seja aprovada, a Polícia Federal brasileira organizará o traslado da parlamentar, podendo utilizar um voo comercial ou uma aeronave da corporação. A condenação de Zambelli, proferida pelo STF em 7 de junho, também resultou na perda de seu mandato, com um processo em andamento na Câmara dos Deputados que exige aprovação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e votação em plenário, com ao menos 257 votos favoráveis, para ser efetivado. A defesa da deputada pediu uma acareação com o hacker Walter Delgatti, condenado no mesmo caso, mas o STF rejeitou apelações.
A prisão de Zambelli, aliada de Jair Bolsonaro, intensifica o debate sobre a atuação do STF no combate a crimes contra a democracia e reacende tensões políticas no Brasil. O Ministério da Justiça, sob o comando de Ricardo Lewandowski, acompanha o caso e aguarda a decisão italiana, que será comunicada à Embaixada do Brasil em Roma. O desfecho do processo pode impactar o cenário político às vésperas das eleições de 2026, com reações divididas entre apoiadores de Zambelli e setores que defendem a rigidez judicial.








