Carla Zambelli segue presa na Itália após audiência sobre extradição

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) permanece detida na Itália após nova audiência no tribunal de apelação de Roma, realizada nesta quarta-feira (27). O juiz responsável pelo caso adiou a decisão sobre o pedido de liberdade apresentado pela defesa, que contesta a prisão preventiva enquanto aguarda o julgamento do pedido de extradição feito pelo Brasil. Zambelli está presa desde 29 de julho, após ser incluída na lista de difusão vermelha da Interpol, a pedido do Supremo Tribunal Federal (STF).

A defesa da parlamentar, liderada pelo advogado Fábio Pagnozzi, argumenta que não há justificativa para a manutenção da prisão preventiva e cita problemas de saúde de Zambelli como motivo para sua liberação. Contudo, o juiz italiano informou que precisa de mais tempo para analisar o caso, mantendo a deputada detida até a próxima decisão, que pode ser anunciada a qualquer momento.

Zambelli fugiu para a Itália dias antes de ser condenada pelo STF a 10 anos de prisão, em julho de 2025, por ser considerada mentora de uma invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), na qual o hacker Walter Delgatti, réu confesso, também foi condenado. Na semana passada, a deputada recebeu uma segunda condenação, de cinco anos e três meses, por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma, em um caso ocorrido em São Paulo, onde perseguiu um homem com uma arma em punho. Ambas as sentenças ainda são passíveis de recurso.

Em nota, Pagnozzi expressou a “surpresa e profundo desacordo” de Zambelli com as condenações, afirmando que serão “firmemente contestadas” por violarem princípios do devido processo legal e por refletirem uma “interpretação arbitrária” da competência do STF. A defesa alega que a deputada é vítima de perseguição política, especialmente pelo timing das decisões judiciais, às vésperas da análise de sua extradição.

O caso de Zambelli continua a gerar debates sobre a atuação da Justiça brasileira e as implicações de sua fuga para a Itália. Enquanto a decisão sobre a extradição não é definida, a deputada segue sob custódia em Roma, sob monitoramento da Justiça italiana.

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