Comércio aberto em Feira de Santana valoriza Corpus Christi sem interferir nos festejos

O comércio de Feira de Santana está autorizado a funcionar normalmente nesta quinta-feira (19), feriado de Corpus Christi, sem comprometer as tradicionais celebrações religiosas, garante o presidente do Sindicato do Comércio (Sicomércio), Marco Gomes Silva. Em entrevista ao Acorda Cidade, ele afirmou que a abertura das lojas, a partir das 8h, com destaque para o Calçadão da Sales Barbosa às 10h, não apenas atrapalha as festividades, mas pode valorizar a procissão e os tapetes artesanais que marcam a data, atraindo mais público ao Centro. A decisão, respaldada pela Convenção Coletiva de Trabalho, reflete a estratégia de aproveitar a proximidade do São João para aquecer as vendas, enquanto respeita a fé dos trabalhadores e da comunidade.

“Os carros não passarão pelos locais dos tapetes, e o fluxo de veículos será controlado. A abertura do comércio engrandece a festa, e os empresários estão comprometidos em liberar os funcionários que desejam participar da procissão”, destacou Marco Silva. Comerciantes esperam um aumento de até 15% nas vendas, impulsionado pelo período junino, enquanto a Igreja Católica reforça a importância de manter a essência espiritual do feriado.

Comércio em ritmo junino

A autorização para o funcionamento do comércio no feriado de Corpus Christi, prevista na Cláusula 18ª da Convenção Coletiva entre o Sicomércio e o Sindicato dos Empregados do Comércio (Secofs), permite que lojas no Centro operem em horário regular, das 8h às 18h, com algumas abrindo às 10h no Calçadão da Sales Barbosa. A medida compensa o fechamento do comércio durante a terça-feira de Carnaval (4 de março), conforme acordo que adequa feriados ao calendário local.

Marco Silva enfatizou que a abertura é estratégica, já que o feriado precede o São João, período de alta demanda por produtos como roupas xadrez, calçados e alimentos típicos. “Muitos comerciantes confirmaram que abrirão, especialmente no Calçadão, onde o movimento deve ser intenso”, disse. Lojas de grande porte, como magazines e confecções, também planejam operar desde cedo, enquanto shoppings como o Boulevard seguirão horários próprios, das 9h às 22h.

A expectativa é de um incremento de 15% nas vendas em comparação com dias normais, segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). O movimento no Centro deve ser impulsionado por consumidores locais e de cidades vizinhas, atraídos pelas promoções juninas e pela campanha “São João de Prêmios”, que sorteará três Renault Kwid 0 km.

Respeito à tradição religiosa

Corpus Christi, uma das datas mais significativas do calendário católico, é marcado em Feira de Santana pela confecção de tapetes coloridos de serragem nas ruas do Centro e por procissões que reúnem milhares de fiéis. A principal celebração, organizada pela Arquidiocese de Feira de Santana, inclui a missa campal na Praça da Matriz às 7h, seguida da procissão pelas ruas Monsenhor Mário Pessoa e Sales Barbosa, com tapetes montados a partir da madrugada.

O padre João Eudes, da Paróquia Senhor dos Passos, reforçou que a abertura do comércio não interfere nas atividades religiosas. “Os tapetes são montados em áreas protegidas, e a procissão ocorre pela manhã, antes do pico comercial. A presença de mais pessoas no Centro pode até ampliar a visibilidade da nossa fé”, afirmou. A Arquidiocese orientou as paróquias a dialogarem com lojistas para garantir a preservação dos tapetes e a segurança dos fiéis.

Marco Silva garantiu que os comerciantes estão sensíveis à importância do feriado. “Os empresários facilitarão a participação de funcionários católicos na procissão, com ajustes nos horários de entrada ou intervalos. A intenção é harmonizar trabalho e devoção”, disse. A bonificação para quem trabalhar no feriado, prevista na Convenção Coletiva, será de R$ 75 para empresas com até 20 empregados e R$ 82 para as maiores, paga no mesmo dia, além de vale-transporte.

Contexto e desafios

A decisão de abrir o comércio em Corpus Christi reflete uma prática consolidada em Feira de Santana, onde feriados religiosos são frequentemente compensados por folgas em datas festivas, como Carnaval e Micareta. No entanto, a medida gera debates entre trabalhadores. “É bom para as vendas, mas muitos comerciários preferiam o feriado para descansar ou participar da procissão”, disse Ana Lúcia Santos, 34 anos, vendedora no Calçadão. O Secofs, por sua vez, defende que a bonificação e a flexibilização de horários atendem às demandas da categoria.

A proximidade com o São João, que começa oficialmente em 21 de junho nos distritos de Feira, aumenta a pressão por vendas. Em 2024, o comércio local registrou crescimento de 12% no período junino, e a expectativa para 2025 é ainda maior, com a retomada plena dos festejos após a pandemia. No entanto, desafios como a concorrência com o e-commerce e a inflação podem limitar o consumo, segundo a CDL.

Impacto e perspectivas

A abertura do comércio em Corpus Christi deve atrair cerca de 30 mil pessoas ao Centro, segundo estimativas do Sicomércio, gerando empregos temporários e renda extra para comerciários. A campanha “São João de Prêmios”, que premia consumidores e vendedores, reforça o apelo comercial. “O movimento no Centro valoriza a cidade como um todo, incluindo as celebrações religiosas”, afirmou Marco Silva.

Para a comunidade católica, a harmonia entre comércio e fé é vista como uma oportunidade. “Corpus Christi é um momento de reflexão, mas também de união. Ver o Centro vivo, com respeito à nossa tradição, é positivo”, disse a aposentada Maria de Lourdes, 62 anos, que ajuda na confecção dos tapetes.

Com organização e diálogo, Feira de Santana busca equilibrar devoção e economia, consolidando o Corpus Christi como uma data de celebração espiritual e comercial. O sucesso da iniciativa dependerá da colaboração entre lojistas, trabalhadores e a Igreja, em um feriado que promete unir tradição e progresso.

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