O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o influenciador digital Paulo Figueiredo reagiram com veemência à denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra eles, nesta segunda-feira (22), acusando-os de interferir em processos judiciais para beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em nota conjunta, os investigados classificaram a acusação como “fajuta” e reiteraram apelos por anistia ampla, enquanto celebraram sanções impostas pelos Estados Unidos a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes (STF), e prometeram escalar pressões internacionais contra o Judiciário brasileiro.
A denúncia, assinada pelo procurador-geral Paulo Gonet, alega que as condutas dos denunciados visavam “livrar Jair Bolsonaro, e também o próprio Paulo Figueiredo, da condenação penal” em inquérito relacionado à Ação Penal 2.668, que apura supostas ameaças de sanções estrangeiras contra ministros do STF e o país para obstruir investigações. Eduardo, filho do ex-presidente, e Figueiredo são indiciados por crimes como coação no curso do processo e obstrução de justiça. Jair Bolsonaro, pai do deputado, é investigado no mesmo inquérito, mas ainda não foi formalmente denunciado.
Na nota divulgada nas redes sociais, os acusados rejeitaram “acordos obscuros ou intimidações” e defenderam uma “anistia ampla, geral e irrestrita” para “restaurar a normalidade democrática”. Eles agradeceram as sanções americanas, decretadas pelo presidente Donald Trump e o secretário de Estado Marco Rubio, contra a esposa de Moraes, e alertaram: “Seguiremos atuando […] para que outros apoiadores que facilitaram ou se beneficiaram de condutas sancionadas sejam gradualmente incluídos. O cancelamento de vistos de oficiais do governo brasileiro, do TSE e do Judiciário é um aviso inequívoco: ninguém será poupado”.
O episódio intensifica a guerra entre bolsonaristas e o STF, com Moraes atuando como relator de inquéritos sobre fake news e atos antidemocráticos. Críticos veem nas ameaças de sanções uma tentativa de internacionalizar disputas internas, enquanto defensores do Judiciário as consideram interferência externa indevida. A denúncia segue para análise da Primeira Turma do STF, que decidirá sobre o recebimento.
O caso ocorre em meio a um pré-aquecimento para 2026, com Eduardo Bolsonaro cotado para disputas eleitorais e Figueiredo atuando como porta-voz da direita radical. Analistas alertam para o risco de escalada diplomática entre Brasil e EUA, especialmente com Trump no poder.
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