O governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, intensificou tensões diplomáticas com o Brasil ao criticar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de impor prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), acusado de descumprir medidas cautelares. Em postagem nas redes sociais, o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, ligado ao Departamento de Estado dos EUA, condenou o ministro Alexandre de Moraes e ameaçou sanções contra quem colaborar com a decisão. “Deixem Bolsonaro falar!”, publicou o órgão, chamando a medida de Moraes de “impulsos orwellianos” que levariam o Brasil a uma “ditadura judicial”.
A reação dos EUA, endossada pelo secretário-adjunto Christopher Landau, foi classificada como “inaceitável” pelo líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ). “O Brasil não será uma neocolônia da extrema direita internacional. Nossa independência, conquistada em 1822, não será revogada por pressões externas”, declarou Farias em rede social, segundo o Acorda Cidade. A crise reflete o embate entre o STF e aliados de Bolsonaro, investigado por liderar uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, quando teria pressionado comandantes militares para suspender o processo eleitoral vencido por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Bolsonaro, que enfrenta restrições como a proibição de usar redes sociais, descumpriu a medida no domingo (3) ao publicar, via perfil do filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), uma mensagem de apoio a manifestantes no Rio de Janeiro. O ato, que também defendeu Trump, levou Moraes a decretar a prisão domiciliar. “A Justiça não será feita de tola. Quem descumpre medidas cautelares enfrenta consequências”, afirmou o ministro. A defesa de Bolsonaro negou irregularidades, alegando que a frase “Boa tarde, Copacabana. É pela nossa liberdade” não viola decisões judiciais, e prometeu recorrer.
O caso ganhou contornos internacionais com a atuação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que, licenciado, viajou aos EUA para articular sanções contra ministros do STF. A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a abertura de uma investigação por obstrução de justiça. A tensão diplomática se soma às sanções econômicas dos EUA contra o Brasil, como tarifas de 50% sobre 36% das exportações brasileiras, vistas como retaliação às discussões do Brics sobre uma moeda alternativa ao dólar. O governo Lula mantém o diálogo com a Casa Branca, mas reafirma a soberania nacional frente às pressões externas.








