Governo Trump Revoga Vistos de Autoridades Brasileiras por Ligação com Programa Mais Médicos

Na quarta-feira, 13 de janeiro de 2025, o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a revogação dos vistos de Mozart Júlio Tabosa Sales, secretário do Ministério da Saúde do Brasil, e de Alberto Kleiman, ex-funcionário do governo brasileiro. A medida, motivada pela participação dos dois no programa “Mais Médicos”, foi divulgada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, em publicação na rede social X.

Rubio classificou o programa “Mais Médicos”, que entre 2013 e 2018 contratou médicos cubanos para suprir carências no Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil, como um “golpe diplomático inadmissível”. Ele acusou o programa de promover um esquema de trabalho forçado orquestrado pelo regime cubano, com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) atuando como intermediária. Segundo Rubio, a iniciativa desrespeitou sanções dos EUA contra Cuba e requisitos constitucionais brasileiros, enquanto explorava médicos cubanos.

Em comunicado oficial publicado no site do Departamento de Estado dos EUA, o governo americano detalhou que Sales e Kleiman foram cúmplices de um esquema que “enriqueceu o regime corrupto de Cuba” e privou os cidadãos cubanos de cuidados médicos essenciais. O documento alega que os pagamentos devidos aos médicos cubanos eram redirecionados ao governo de Cuba, e dezenas de profissionais relataram exploração, como restrições de liberdade e retenção de salários.

A investigação sobre o papel da OPAS no “Mais Médicos” começou ainda no primeiro mandato de Trump. Em 2020, o então secretário de Estado, Mike Pompeo, exigiu esclarecimentos da organização, acusando-a de facilitar o trabalho forçado de médicos cubanos. Na ocasião, Pompeo reforçou que a administração Trump cobraria responsabilidade de organizações internacionais de saúde que utilizam recursos de contribuintes americanos.

Além das autoridades brasileiras, Rubio anunciou restrições de vistos a funcionários de governos de Cuba, países africanos e Granada, incluindo seus familiares, sob acusações semelhantes de exploração de trabalhadores médicos cubanos em programas internacionais.

Até o momento, o Ministério da Saúde do Brasil e a OPAS não se pronunciaram sobre as alegações ou a revogação dos vistos. A decisão destaca as tensões contínuas entre os EUA e Cuba, além de levantar questões sobre a cooperação internacional em saúde e os direitos humanos.

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