A 30ª edição da Marcha para Jesus em Feira de Santana, um dos maiores eventos cristãos do Brasil, está marcada para 9 de agosto na Avenida Getúlio Vargas e promete ser a mais impactante de sua história. Em reunião realizada na segunda-feira (16) no Museu de Arte Contemporânea Raimundo Oliveira, o secretário municipal de Cultura, Esporte e Lazer, Cristiano Lôbo, se encontrou com pastores e lideranças evangélicas para discutir a organização do evento, que integra o calendário oficial da cidade e é reconhecido como patrimônio cultural imaterial. Com expectativa de reunir mais de 50 mil pessoas, a marcha reforça a influência das igrejas evangélicas e busca promover fé, unidade e paz em meio a desafios como a violência urbana.
“A Marcha para Jesus é uma expressão de fé que mobiliza milhares e fortalece a identidade cultural de Feira. Estamos comprometidos em oferecer todo o apoio necessário”, afirmou Lôbo. O encontro, que contou com representantes de associações como a Amipe, Caverna de Adulão e Commfe, abordou a logística, a infraestrutura e a programação, ainda em definição, com a promessa de grandes atrações musicais gospel e uma mobilização ampliada para marcar o jubileu de 30 anos.
Planejamento para um marco histórico
A Marcha para Jesus, realizada anualmente em Feira desde 1995, é coordenada por uma coalizão de igrejas evangélicas e conta com o apoio da Prefeitura Municipal, que fornece trios elétricos, palco, iluminação e segurança. A edição de 2025, com concentração a partir das 14h na Praça da Malhação, seguirá o tradicional percurso pela Avenida Getúlio Vargas até o centro da cidade. A previsão é de dois trios elétricos e um palco principal, com apresentações de artistas gospel nacionais e locais, embora os nomes ainda não tenham sido confirmados.
O pastor Roque Hudson, presidente da Caverna de Adulão, destacou o caráter profético do evento. “Estamos orando por Feira, uma cidade que enfrenta violência e desafios. A marcha é um clamor por paz e transformação espiritual”, afirmou. O apóstolo José Ribeiro Santana, da Amipe, reforçou que o objetivo é “engrandecer o nome de Jesus Cristo” e unir a comunidade cristã em um ato de adoração pública.
A reunião também abordou a necessidade de divulgação antecipada, uma demanda recorrente dos organizadores. O vereador Ismael Bastos (PL), que participou de sessões recentes na Câmara Municipal, criticou o atraso na definição das atrações musicais, o que impede a produção de materiais promocionais. “Faltam menos de dois meses, e os fiéis estão ansiosos. Precisamos de uma grade clara para mobilizar o público”, disse.
Contexto e relevância cultural
A Marcha para Jesus é um marco em Feira de Santana, onde 35% da população se declara evangélica, segundo estimativas baseadas no Censo 2022 do IBGE. Realizada desde 1993 no Brasil, sob a liderança inicial da Igreja Renascer em Cristo, a marcha ganhou força local com a união de igrejas como a Assembleia de Deus, Batista e ministérios independentes. Em 2009, o evento passou a integrar o calendário oficial do país pela Lei Federal 12.025, e em Feira, foi instituído como patrimônio imaterial por lei municipal.
Nos últimos anos, a marcha enfrentou desafios, como a suspensão durante a pandemia de Covid-19 em 2020 e 2021. Em 2023, a retomada reuniu cerca de 50 mil pessoas, com shows de Isaías Saad e Som e Louvor, enquanto em 2024, sob o tema “Pelo Brasil e pela Família”, a edição atraiu multidões com Isadora Pompeo e Banda Som e Louvor. A edição de 2025, que coincide com o feriado municipal do Dia da Consciência Evangélica, busca superar esses números, com apoio reforçado do poder público.
O secretário Cristiano Lôbo destacou o papel social das igrejas evangélicas. “Além da fé, essas comunidades promovem acolhimento, apoio social e ações comunitárias que transformam vidas em Feira”, disse. A prefeitura destinou R$ 300 mil em 2024 para contratar artistas, e a expectativa é de um investimento ainda maior este ano, com vereadores como Jorge Oliveira (PRD) e Pastor Valdemir (PP) cobrando “recursos robustos” equiparáveis aos da Micareta.
Polêmicas e desafios
Apesar do entusiasmo, a organização enfrenta críticas. Durante uma sessão solene na Câmara Municipal em 11 de junho, vereadores evangélicos, como Jorge Oliveira e Pastor Valdemir, lamentaram a ausência de Lôbo ou de um representante da Secretaria de Cultura, interpretada como desatenção ao evento. “A marcha é cultural e merece o mesmo prestígio dado a outros festejos”, afirmou Oliveira. O secretário respondeu que a agenda conflitou com outros compromissos, mas reafirmou o compromisso com a marcha.
Outro desafio é a politização associada ao evento. Em edições anteriores, como em 2022, a marcha foi alvo de críticas nas redes sociais por suposto uso de símbolos nacionais, como camisas amarelas, em apoio a candidaturas políticas. Organizadores, como o bispo Edson Melo, negaram intenções partidárias, enfatizando que a marcha é um “ato profético” pela cidade. Para 2025, a organização promete reforçar a mensagem de unidade e evitar controvérsias.
A violência em Feira de Santana, uma das cidades mais violentas da Bahia, também está no centro das orações. “Marchamos por uma Feira mais segura, onde nossas famílias possam viver em paz”, disse o pastor Ricardo Barba Gelata, um dos coordenadores de 2024. A campanha municipal “Feira Pede Paz”, mencionada pelo prefeito Colbert Martins Filho, será reeditada durante o evento, com apoio da Polícia Militar e da Guarda Municipal.
Impacto e expectativas
A Marcha para Jesus 2025 deve gerar benefícios econômicos e sociais, com aumento no movimento de hotéis, restaurantes e transportes no Centro. Em 2023, a prefeitura estimou 50 mil participantes, e a meta para este ano é alcançar 60 mil, com caravanas de cidades vizinhas como Alagoinhas e Serrinha. A infraestrutura incluirá barreiras de segurança, postos médicos e banheiros químicos, além de apoio da Superintendência de Trânsito para gerenciar o fluxo na Getúlio Vargas.
Para a comunidade evangélica, o evento é uma oportunidade de testemunhar a fé. “A marcha é um momento de glorificar Jesus e mostrar que Ele é o caminho para transformar nossa cidade”, disse a pastora Renilde Santana, que participa desde 1995. Moradores como Edileuza Santos, da Igreja Batista do Limoeiro, destacam a emoção de reunir famílias e jovens em um ambiente de paz.
Com 30 anos de história, a Marcha para Jesus de Feira de Santana se prepara para um marco de fé e união, desafiando a violência e celebrando a força do evangelho. A cidade aguarda a divulgação das atrações para se mobilizar em um evento que promete ecoar além das ruas.








