O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria de 7 votos a 2 para condenar a deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP) a 5 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma. O julgamento virtual, iniciado na semana passada, será concluído nesta sexta-feira, 22 de agosto de 2025, com os votos pendentes dos ministros Luís Roberto Barroso e Luiz Fux.
O caso refere-se a um episódio ocorrido às vésperas do segundo turno das eleições de 2022, quando Zambelli sacou uma arma de fogo e perseguiu o jornalista Luan Araújo no bairro dos Jardins, em São Paulo, após uma troca de provocações durante um ato político. A maioria dos ministros seguiu o voto do relator, Gilmar Mendes, que defendeu a condenação, sendo acompanhado por Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Dias Toffoli e Edson Fachin.
Divergências no Julgamento
Os ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça apresentaram votos divergentes. Nunes Marques defendeu a absolvição de Zambelli pelo crime de porte ilegal de arma e desclassificou o constrangimento ilegal para exercício arbitrário das próprias razões, considerando a pena prescrita. Mendonça, por sua vez, absolveu a deputada do porte ilegal, mas a condenou a oito meses de prisão em regime aberto por constrangimento ilegal.
Segunda Condenação e Extradição
Esta é a segunda condenação de Zambelli no STF. Em maio de 2025, a deputada foi condenada a 10 anos de prisão por ser a autora intelectual de uma invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2023, para emitir um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. O hacker Walter Delgatti, também condenado, confirmou que agiu a mando de Zambelli. A sentença incluiu o pagamento de R$ 2 milhões em danos coletivos.
Após a primeira condenação, Zambelli, que possui dupla cidadania, deixou o Brasil e foi localizada na Itália, onde foi presa na capital em julho de 2025, ao tentar evitar um mandado de prisão emitido por Moraes. O governo brasileiro formalizou o pedido de extradição em 11 de junho, encaminhado pelo Itamaraty ao governo italiano, que ainda avalia o caso.
Contexto Político
A condenação de Zambelli intensifica o embate entre setores do Judiciário e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, de quem a deputada é uma das principais apoiadoras. O caso também reacende debates sobre o uso de armas de fogo e a responsabilidade de figuras públicas em episódios de violência. Enquanto o julgamento no STF se conclui, a situação de Zambelli segue sob os holofotes, com implicações políticas e jurídicas que podem influenciar o cenário pré-eleitoral de 2026.








