O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta sexta-feira, 15 de agosto de 2025, o julgamento da deputada licenciada Carla Zambelli (PL-SP), acusada de porte ilegal de arma de fogo e coação de um homem em via pública, em um incidente ocorrido em outubro de 2022. A Corte já formou maioria pela condenação da parlamentar, com votos favoráveis dos ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Dias Toffoli.
O julgamento ocorre no plenário virtual, com a participação dos 11 ministros do STF. O relator, Gilmar Mendes, propôs uma pena de 5 anos e 3 meses de prisão em regime inicial semiaberto. A análise foi temporariamente suspensa por um pedido de vista do ministro Nunes Marques, que ainda não apresentou seu voto. Os ministros André Mendonça, Luiz Fux, Edson Fachin e o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, também devem votar para concluir o julgamento.
Além do caso envolvendo a arma, Zambelli enfrenta outra condenação, relacionada à invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2023, em conjunto com o hacker Walter Delgatti. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a deputada participou da emissão fraudulenta de um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. O documento, descrito como uma tentativa de burlar o sistema judicial, continha a ordem: “Expeça-se o mandado de prisão em desfavor de mim mesmo, Alexandre de Moraes. Publique-se, intime-se e faz o L”.
Antes da conclusão do julgamento, Zambelli fugiu para a Itália, onde foi incluída na lista vermelha da Interpol. A parlamentar foi detida em Roma no dia 29 de julho de 2025 e está atualmente na penitenciária feminina de Rebibbia. Após um mal-estar, sua audiência na Justiça italiana, inicialmente marcada para 13 de agosto, foi adiada, sem nova data confirmada.
O caso tem gerado amplo debate sobre a conduta de parlamentares e a responsabilização por crimes envolvendo armas e ataques a instituições democráticas. A decisão do STF pode marcar um precedente importante no combate à impunidade em casos de abuso de poder.








